ISO 9001:2026
A ISO 9001:2026 é a nova edição da norma de sistemas de gestão da qualidade, publicada pela ISO em 16 de setembro de 2026 para substituir a ISO 9001:2015 (ISO). É uma revisão de ajuste, não de ruptura: a estrutura das cláusulas continua a mesma, e as mudanças tratam de liderança, cultura da qualidade, riscos, mudanças e análise crítica. Para quem já é certificado, o prazo oficial de transição termina em 30 de setembro de 2029. Neste texto, a equipe da Qualimaster, consultoria de Curitiba que trabalha com a ISO 9001 desde 1998, reúne o que mudou cláusula por cláusula, as datas da transição com a fonte oficial e o que a empresa certificada deve fazer agora.
A ISO 9001:2026 já foi publicada?
Sim. A ISO publicou a ISO 9001:2026 em 16 de setembro de 2026, e desde essa data ela é a edição vigente da norma. A cooperação internacional de acreditação confirma que a nova edição substitui a “ISO 9001:2015 incluindo a Emenda 1:2024” e que a transição começou na data de publicação (Global ACI).
No Brasil, a norma circula como ABNT NBR ISO 9001, a versão traduzida publicada pela ABNT a partir do texto da ISO. A edição em português pode ser conferida e comprada no catálogo da ABNT. Recomendamos que a empresa trabalhe com a versão em português na mesa e a inglesa como referência quando houver dúvida de tradução.
A ISO 9001:2026 já está valendo para certificação?
Está valendo como norma, mas a certificação na edição de 2026 depende de o organismo certificador ter sido transicionado pelo seu órgão acreditador. No Brasil, esse órgão é a Cgcre, a coordenação de acreditação do Inmetro (Inmetro). Pelo documento de transição, os órgãos acreditadores têm até 31 de março de 2027 para estar prontos para avaliar a nova versão, e a certificação acreditada na edição de 2026 só é permitida depois que o organismo certificador for transicionado (Global ACI). Na prática, a pergunta certa é ao seu organismo: “vocês já estão acreditados para auditar a ISO 9001:2026?”.

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Falar no WhatsAppPor que a ISO 9001 foi revisada?
A ISO 9001 foi revisada para alinhar o texto à estrutura harmonizada que a ISO usa em todas as normas de sistema de gestão e para incorporar temas que ganharam peso desde 2015. O documento de transição cita o alinhamento ao Anexo SL e à resolução 16/2025 do Conselho de Gestão Técnica da ISO (TMB) como primeira mudança (Global ACI).
Há também uma razão prática: a edição de 2015 já tinha recebido, em 2024, uma emenda sobre mudanças climáticas, e a nova edição consolida esse texto. Fora isso, a revisão responde a pontos que auditores e usuários levantavam havia anos, como a mistura de riscos e oportunidades num mesmo requisito e a falta de critérios para planejar mudanças. O próprio documento de transição avalia que as mudanças são mínimas e que as empresas devem achá-las intuitivas e atingíveis com esforço razoável.
O que muda na ISO 9001:2026?
As principais mudanças da ISO 9001:2026 estão em sete pontos: termos e estrutura harmonizada, informação documentada, liderança com cultura da qualidade e ética, política ligada à direção estratégica, riscos e oportunidades separados, planejamento de mudanças mais detalhado e análise crítica com itens a mais. A lista abaixo segue o resumo oficial do documento de transição da Global ACI, com o nosso comentário sobre o impacto na rotina.
Estrutura harmonizada e novos termos
A norma passou a seguir a estrutura harmonizada das normas de gestão, que substituiu a antiga estrutura de alto nível. Foram incluídos termos próprios da qualidade, como sistema de gestão da qualidade, política da qualidade e objetivos da qualidade, e a ISO 9000 continua sendo a referência normativa para o vocabulário. Para quem já tem a ISO 14001 ou a ISO 45001, a vantagem é que o texto comum fica ainda mais parecido, o que facilita o sistema integrado.
Informação documentada
O texto adotou uma nova frase-padrão para informação documentada e deixou claro o que significa “a informação documentada deve estar disponível”. O resumo oficial das mudanças não lista documentos obrigatórios novos. O efeito prático é que o auditor tende a perguntar se a informação está acessível a quem precisa dela, no momento em que precisa, e não apenas se existe numa pasta.
Liderança: cultura da qualidade e comportamento ético (5.1.1)
A cláusula 5.1.1 foi reorganizada e ganhou um item novo: a alta direção deve promover a cultura da qualidade e o comportamento ético. O mesmo item passou a falar em melhoria “contínua” no lugar de apenas “melhoria”, e uma nota nova diz que a cultura da qualidade e o comportamento ético se refletem nos valores, nas atitudes e nas práticas compartilhadas da organização.
Política da qualidade e direção estratégica (5.2.1)
A política da qualidade passou a dizer, num único item, que ela leva em conta o contexto da organização e apoia a sua direção estratégica. Na prática, uma política genérica, que serviria para qualquer empresa, fica mais difícil de defender na auditoria.
Riscos e oportunidades em subitens separados (6.1)
A cláusula 6.1 foi dividida em três partes: 6.1.1, determinação de riscos e oportunidades; 6.1.2, ações para tratar riscos; e 6.1.3, ações para tratar oportunidades. A separação acaba com a planilha única em que oportunidade aparecia só como o contrário de um risco. A empresa passa a precisar mostrar que olhou para as oportunidades com o mesmo cuidado, e que decidiu o que fazer com elas.
Planejamento de mudanças (6.3)
A cláusula 6.3 passou a começar com o objetivo de garantir que as mudanças sejam implantadas com eficácia e atinjam o resultado pretendido. Ganhou três critérios: como a eficácia da mudança será monitorada e avaliada, como a mudança será comunicada e como os resultados serão analisados depois. Mudar um processo, um sistema informatizado ou a estrutura de uma área agora exige um plano com começo, meio e verificação no fim.
Conscientização (7.3)
A cláusula 7.3 incluiu a cultura da qualidade e o comportamento ético da organização entre os temas de que as pessoas devem estar conscientes. É a ponte entre o que a direção promove na 5.1.1 e o que acontece no chão de fábrica, no balcão ou no atendimento.
Análise crítica pela direção (9.3.2)
A análise crítica pela direção deixou de ser algo “planejado e realizado levando em consideração” uma lista e passou a ter de “incluir” essa lista. Entrou um item novo: as mudanças nas necessidades e expectativas das partes interessadas relevantes para o sistema. A ata da análise crítica precisa mostrar que cada entrada foi de fato tratada.
Mudanças climáticas no contexto (4.1 e 4.2)
A pergunta sobre mudanças climáticas chegou à ISO 9001 pela emenda de 2024, que acrescentou à cláusula 4.1 a obrigação de determinar se a mudança climática é uma questão relevante e, à 4.2, uma nota de que partes interessadas podem ter requisitos relacionados ao clima (SCC). A ISO 9001:2026 incorpora esse texto. Para uma empresa de serviços com pouca exposição, a resposta pode ser curta e fundamentada; para uma indústria que depende de água, energia ou de cadeia logística sensível a eventos extremos, o tema entra na análise de riscos.
Anexo A revisado e Anexo B removido
O Anexo A, informativo, foi reescrito para esclarecer como interpretar os requisitos, e o Anexo B foi retirado. O anexo não cria requisito, mas é a primeira leitura que indicamos para quem vai atualizar o sistema.
ISO 9001 2015 x 2026, lado a lado
| Cláusula | ISO 9001:2015 | ISO 9001:2026 |
|---|---|---|
| 4.1 e 4.2 | Contexto e partes interessadas; clima incluído pela emenda de 2024 | Texto da emenda incorporado à norma |
| 5.1.1 | Liderança e comprometimento | Inclui promover cultura da qualidade e comportamento ético |
| 5.2.1 | Política da qualidade | Considera o contexto e apoia a direção estratégica, num único item |
| 6.1 | Riscos e oportunidades num só requisito | 6.1.1 determinar; 6.1.2 riscos; 6.1.3 oportunidades |
| 6.3 | Planejamento de mudanças | Acrescenta monitorar a eficácia, comunicar e analisar o resultado |
| 7.3 | Conscientização | Inclui cultura da qualidade e comportamento ético |
| 9.3.2 | Entradas da análise crítica “a considerar” | Entradas que a análise “deve incluir”, com mudanças nas partes interessadas |
| Anexos | Anexos A e B | Anexo A revisado; Anexo B removido |
O que é cultura da qualidade na prática?
Cultura da qualidade é o que as pessoas fazem quando ninguém está auditando: os valores, as atitudes e as práticas que a organização compartilha em relação à qualidade, segundo a nota da própria norma. Não é um documento, por isso não se resolve com um código de ética novo na intranet.
O auditor vai procurar sinais no comportamento. Alguns que costumamos usar na auditoria interna:
- Como a empresa reage a uma não conformidade: a pergunta é “o que no processo permitiu isso?” ou “quem errou?”.
- O que acontece sob pressão de prazo: a inspeção final é mantida ou pulada quando o caminhão está esperando.
- Se as pessoas sabem dizer por que o controle que executam existe, e não só como executá-lo.
- Se a direção aparece nas análises críticas com perguntas sobre o negócio, e não só para assinar a ata.
- Se os problemas sobem: o operador tem canal e liberdade para relatar um desvio sem medo.
Comportamento ético segue a mesma lógica: a norma não define um padrão ético único, mas espera que a empresa saiba quais comportamentos espera, comunique-os e trate os desvios.

Qual é o prazo de transição da ISO 9001:2026?
O prazo de transição da ISO 9001:2026 é de três anos e termina em 30 de setembro de 2029; depois dessa data, os certificados acreditados na edição de 2015 deixam de valer. As datas abaixo são as do documento obrigatório de transição da Global Accreditation Cooperation (Global ACI), que todos os organismos acreditadores signatários e os organismos certificadores acreditados precisam seguir (Global ACI).
| Data | O que acontece |
|---|---|
| 16/09/2026 | Publicação da ISO 9001:2026 e início da transição |
| 31/03/2027 | Limite para os órgãos acreditadores estarem prontos para avaliar a nova versão |
| 30/06/2027 | Limite para os organismos certificadores entregarem a declaração de transição ao acreditador |
| 30/09/2027 | Limite para os acreditadores decidirem a transição de cada organismo certificador |
| 31/03/2028 | A partir daqui, certificações iniciais só na ISO 9001:2026; nenhum certificado novo na edição de 2015 |
| 30/09/2029 | Fim da transição: certificados acreditados na ISO 9001:2015 deixam de valer |
A Global ACI é a entidade que assumiu, em 1º de janeiro de 2026, o trabalho da IAF, que encerrou as atividades nessa data (IAF). Por isso, textos que ainda falam em “prazo definido pela IAF” estão desatualizados: a regra vigente é a da Global ACI, aplicada no Brasil pela Cgcre e, para cada empresa, pelo organismo certificador.
Março de 2028 ou setembro de 2029: qual é o prazo?
São prazos diferentes para situações diferentes. Março de 2028 (31/03/2028) é a data limite para emitir uma certificação inicial na edição de 2015, ou seja, vale para quem ainda vai se certificar pela primeira vez. Setembro de 2029 (30/09/2029) é o prazo para quem já é certificado concluir a transição. Parte da confusão que vemos em textos e propostas vem de misturar as duas datas.
Meu certificado ISO 9001:2015 continua válido?
Sim, o certificado ISO 9001:2015 continua válido até o fim da transição, em 30 de setembro de 2029, desde que a empresa mantenha as auditorias de supervisão em dia. Há dois cuidados. Se o ciclo atual do certificado vence depois de setembro de 2029 e a empresa não migrar, o certificado não vai durar o ciclo inteiro. E o organismo pode reduzir a data de validade impressa para evitar confusão no mercado, segundo o mesmo documento de transição.
Quando fazer a auditoria de transição?
A auditoria de transição pode ser feita junto com uma auditoria de supervisão, junto com a recertificação ou como auditoria especial. Ela precisa avaliar os requisitos que mudaram, as mudanças no contexto da empresa e qualquer outra mudança necessária no sistema, e pode ser remota quando o organismo demonstra que os objetivos foram atingidos. O organismo também decide se precisa de tempo adicional de auditoria, conforme o grau de mudança no sistema da empresa.
Na nossa experiência, a escolha mais econômica costuma ser fazer a transição na auditoria que já estava no calendário. O risco é deixar para a última supervisão antes de setembro de 2029: se aparecer uma não conformidade, sobra pouco tempo para tratá-la, e a agenda dos auditores aperta no fim de qualquer transição.
E se a empresa não migrar?
Se a empresa decidir não migrar, o organismo pode continuar auditando pela edição de 2015, mas deve avisar que o certificado expira no fim da transição. Depois de 30 de setembro de 2029, o certificado acreditado na edição antiga é retirado.
O valor depende do porte, do número de processos e do escopo da certificação: peça a proposta pelo WhatsApp.
Pedir proposta no WhatsAppO que a empresa certificada deve fazer agora?
A empresa certificada deve começar pela análise de lacunas entre o sistema atual e a ISO 9001:2026 e, em seguida, combinar com o organismo certificador em qual auditoria será feita a transição. Para quem pergunta como se preparar, o plano de transição que usamos com os clientes tem oito passos:
- Ter a norma nova em mãos, de preferência a versão ABNT em português, e ler o Anexo A revisado.
- Fazer a análise de lacunas cláusula por cláusula, começando por 5.1.1, 5.2.1, 6.1, 6.3, 7.3 e 9.3.2.
- Rever o contexto (4.1 e 4.2), incluindo a avaliação sobre mudanças climáticas, com evidência da decisão.
- Separar riscos e oportunidades na metodologia e registrar as ações de cada lado.
- Formalizar o planejamento de mudanças com critério de eficácia, comunicação e análise do resultado.
- Treinar a liderança e os auditores internos na nova edição.
- Fazer uma auditoria interna completa na ISO 9001:2026 e uma análise crítica pela direção com as novas entradas.
- Agendar a transição com o organismo, de preferência numa auditoria que já estava prevista.
Para o passo 6, o curso ISO 9001 forma auditores internos e gestores, in company ou online ao vivo; a edição da norma usada na turma é combinada na proposta. Para o passo 7, a auditoria ISO interna terceirizada mostra as não conformidades antes que o organismo as encontre.
Vou ter que refazer o sistema de gestão da qualidade?
Não. A estrutura das cláusulas continua a mesma, e o resumo oficial das mudanças não lista documentos obrigatórios novos. O trabalho é de ajuste: revisar a política, a metodologia de riscos e oportunidades, o procedimento de mudanças, a pauta da análise crítica e o treinamento de conscientização. Em sistemas bem mantidos, é um projeto de ajuste, não de reconstrução.
Vou precisar de mais documentação?
Em regra, não. O resumo oficial das mudanças não lista documentos obrigatórios novos; a norma esclareceu que a informação documentada deve estar disponível. O que tende a crescer são os registros que provam decisões: a avaliação do contexto climático, as ações para oportunidades e o acompanhamento da eficácia das mudanças.
Estou implantando a ISO 9001 agora: devo esperar?
Não precisa esperar. Quem começa uma implantação hoje deve implantar direto pela ISO 9001:2026, porque é a edição vigente e porque, a partir de 31 de março de 2028, nenhuma certificação inicial pode mais ser feita na edição de 2015.
O ponto de atenção é a data da auditoria. Se ela acontecer antes de o seu organismo ter sido transicionado pela Cgcre, o organismo ainda pode auditar pela edição de 2015, e a empresa passaria por uma transição pouco depois de se certificar. Por isso, nas implantações que conduzimos, a primeira conversa com o organismo inclui a pergunta sobre a edição da auditoria, e o sistema é montado de forma a atender as duas quando o calendário exige. O caminho da implantação, com etapas e responsabilidades, está na página de consultoria ISO 9001.
Como a Qualimaster conduz a transição
Conduzimos a transição em três frentes: diagnóstico das diferenças, ajuste do sistema com a equipe da empresa e auditoria interna completa na edição nova antes da auditoria do organismo. Somos consultoria: preparamos a empresa, mas quem audita e emite o certificado é o organismo de certificação acreditado.
Atendemos empresas de Curitiba e da região metropolitana, do interior do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul; o formato das visitas e reuniões é combinado na proposta. Quem precisa entender como funciona a certificação, como escolher o organismo e o que acontece em cada etapa da auditoria encontra isso na página de certificação ISO 9001, o próximo passo para quem está planejando a transição ou a primeira certificação.
Ficou uma dúvida sobre a norma no seu caso? Mande pelo WhatsApp para a equipe da Qualimaster.
Falar no WhatsAppPerguntas frequentes sobre a ISO 9001:2026
Quem define o prazo de transição da ISO 9001?
O prazo é definido pela Global Accreditation Cooperation (Global ACI), em documento obrigatório para os organismos acreditadores signatários e para os organismos certificadores acreditados. No Brasil, a Cgcre aplica a regra aos organismos que acredita, e cada organismo informa o cronograma aos seus clientes.
Preciso de um certificado novo?
Sim. Depois da auditoria de transição aprovada, o organismo emite o certificado na ISO 9001:2026. A decisão de transição é do organismo, com base no resultado da auditoria.
A ISO 14001 também mudou?
Sim. A ISO 14001:2026 foi publicada em abril de 2026 e tem transição própria, que termina em 30 de abril de 2029 (Global ACI). Quem tem sistema integrado pode planejar as duas transições juntas; o que a norma ambiental pede está no nosso texto sobre o que é a ISO 14001.
A ISO 9001:2026 exige um código de ética?
Não. A norma pede que a direção promova o comportamento ético e que as pessoas estejam conscientes dele, mas não exige um documento específico. Um código de conduta pode ser uma boa evidência, desde que as pessoas o conheçam e a empresa trate os desvios.
Para entender a norma desde o começo, antes das mudanças, o nosso texto sobre o que é a ISO 9001 explica os princípios, a estrutura e os requisitos de cada cláusula.
Cada empresa tem processos, porte e escopo próprios. Se quiser aplicar este assunto à sua, fale com a Qualimaster pelo WhatsApp.
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